
Prevenir infecções vai muito além de evitar gripes e resfriados — pode significar também proteger o coração. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) reforça que idosos e pessoas com doenças cardíacas estão entre os grupos que mais se beneficiam da vacinação, não apenas por reduzirem o risco de infecções, mas também por evitarem descompensações cardíacas e hospitalizações graves.
Infecções podem sobrecarregar o coração
Estudos citados pela SBIm mostram que doenças como gripe, pneumonia ou infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) podem funcionar como gatilhos para infarto, arritmias e insuficiência cardíaca em pessoas vulneráveis.
“Infecções podem desestabilizar o coração, aumentar a inflamação e sobrecarregar o sistema cardiovascular. A vacinação, portanto, é uma forma eficaz de proteção indireta ao coração”, destaca o artigo publicado pela SBIm na Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP).
A imunossenescência e o risco nos 60+
A partir dos 60 anos, o sistema imunológico começa a responder de forma mais lenta — fenômeno conhecido como imunossenescência. Isso faz com que as infecções ocorram com maior frequência e intensidade, especialmente quando associadas a doenças crônicas como diabetes e cardiopatias.
Para esse público, a SBIm recomenda uma rotina vacinal ampliada, que inclui imunizantes específicos para a faixa etária e reforços mais potentes.
Clique aqui para conferir o calendário de vacinação para pessoas com idade 60+.
Vacinas recomendadas pela SBIm para idosos e cardiopatas
Entre as principais vacinas indicadas para idosos (60+) e pacientes com doenças cardíacas, estão:
- Influenza (gripe) – dose anual; preferencialmente a vacina quadrivalente de alta dose, que estimula melhor resposta imunológica em idosos.
- Pneumocócicas (VPC13/VPC15 e VPP23) – protegem contra pneumonias e infecções que podem levar à hospitalização.
- Herpes-zóster – indicada a partir dos 50 anos; previne o “cobreiro”, que é doloroso e pode gerar complicações.
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR) – recomendada a partir dos 60 anos, especialmente para quem tem doenças cardíacas ou pulmonares crônicas.
- Tríplice bacteriana do adulto (dTpa) – reforço a cada 10 anos.
- Hepatite B – para todos os não vacinados.
- COVID-19 – esquema completo e reforços conforme recomendação do Ministério da Saúde.
- Dengue e febre amarela – quando indicadas, mediante avaliação médica.
Ver calendário para cardiopatas (ver página 7)
Vacinar é cuidar do coração
Segundo a SBIm, a vacinação é uma medida de saúde cardiovascular. Ela não substitui o tratamento médico, mas reduz o risco de descompensação da doença e de eventos graves, especialmente durante surtos de infecção respiratória.
Para o Dr. Romero Barbosa, cardiologista e professor doutorando da UNIVASF em Paulo Afonso/BA – “Muitos pacientes ainda veem a vacina apenas como prevenção de infecção. Mas, no caso dos cardiopatas, ela também é uma estratégia para proteger o sistema cardiovascular”. Em suas redes sociais, o cardiologista faz alerta sobre a necessidade da imunização, confira.
Um desafio de saúde pública
Dados da SBIm e de estudos internacionais mostram que as taxas de vacinação em adultos e idosos ainda são baixas, mesmo entre grupos de risco.
A ampliação do acesso, a capacitação de profissionais de saúde e o combate às fake news são medidas essenciais para aumentar a cobertura vacinal e proteger a população.
Vacinar-se é um ato de prevenção e amor à vida. No caso de quem vive com o coração fragilizado ou com a idade avançando, é uma forma concreta de garantir mais qualidade de vida e menos risco de complicações.
Fontes: Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), Guia de Vacinação do Idoso SBIm/SBGG.




