O mercado legal desses injetáveis já movimenta bilhões de reais por ano, com projeções que podem chegar à marca de R$ 5 bilhões

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) trouxeram um alerta importante sobre os riscos associados ao uso indiscriminado das chamadas “canetas emagrecedoras” — medicamentos injetáveis à base de agonistas do receptor de GLP-1 (como liraglutida e semaglutida). As entidades médicas enfatizam que, apesar da eficácia comprovada no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, esses medicamentos não são “soluções mágicas” e seu uso deve ser restrito a pacientes com indicação clínica precisa e acompanhamento contínuo de um médico endocrinologista e/ou nutrólogo.
A SBEM e a ABRAN expressam grande preocupação com o uso off-label (fora da bula) e a popularização desses injetáveis para fins estéticos ou em pacientes sem critérios clínicos estabelecidos, alertando para:
- Risco de abuso e efeitos colaterais: o uso inadequado pode mascarar quadros de transtornos alimentares e levar a efeitos adversos sérios, como náuseas, vômitos, diarreia e, em casos mais raros, pancreatite e problemas na vesícula biliar.
- Acesso e mercado ilegal: o aumento da demanda impulsiona o mercado paralelo e a aquisição sem receita, comprometendo a segurança e a eficácia do tratamento.
- Importância do acompanhamento: os medicamentos injetáveis são apenas ferramentas adjuvantes. O tratamento efetivo da obesidade e do sobrepeso deve ser multiprofissional, incluindo mudanças no estilo de vida, dieta adequada e atividade física, supervisionadas por um especialista.
Sem sombra de dúvidas, essas medicações representam um grande avanço na medicina, e a SBEM e a ABRAN reconhecem isto. Porém, o sucesso a longo prazo depende da correta indicação médica e do monitoramento das condições de saúde do paciente, desmistificando a ideia de que a “caneta” substitui o esforço e a adesão ao tratamento completo.
O mercado das “canetas emagrecedoras” no Brasil
O mercado legal desses injetáveis já movimenta bilhões de reais por ano, com projeções indicando que o segmento como um todo pode chegar à marca de R$ 5 bilhões. Esse volume financeiro continua a crescer, especialmente com a entrada de versões nacionais no mercado, visando oferecer preços mais acessíveis e acirrar a concorrência.




