Novos protocolos de desengasgo: o que você precisa saber

Quando agir rápido pode salvar uma vida

Obstruções das vias aéreas — o chamado “engasgo” — exigem ação rápida. Tanto as diretrizes da American Heart Association (AHA) quanto os protocolos nacionais apontam para uma sequência simples, mas que faz a diferença entre gravidade e resolução.

O que é e por que é tão grave

Quando um objeto ou alimento bloqueia parcial ou totalmente as vias aéreas, impede a circulação de ar e pode levar à asfixia. No Brasil, mais de 94% dos casos de asfixia por engasgo ocorrem em crianças menores de 7 anos.
A ação imediata de quem está próximo pode evitar um desfecho trágico.

Quais são os sinais de alerta

Fique atento quando a pessoa:

  • não consegue tossir de forma eficaz ou emitir som;
  • leva as mãos à garganta (sinal universal de asfixia);
  • apresenta respiração muito ofegante ou não consegue respirar;
  • fica pálida ou com lábios arroxeados (“cianose”).
    Esses são indícios de obstrução total das vias aéreas: exige intervenção imediata.

O que dizem as diretrizes da AHA

As orientações da AHA (em consonância com o International Liaison Committee on Resuscitation – ILCOR) indicam a seguinte sequência para vítimas conscientes com obstrução de vias aéreas:

  1. Se a vítima consegue tossir forte: incentive a tosse, não intervenha ainda.
  2. Se a vítima não consegue tossir, falar ou respirar: aplique 5 tapas nas costas entre as omoplatas ou 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich) — dependendo da situação.
  3. Repita os ciclos até que o objeto seja expelido ou a vítima perca a consciência. A partir daí, considerar reanimação cardiopulmonar.

O que os protocolos brasileiros reforçam

O material de “Noções de Primeiros Socorros” do Ministério da Saúde destaca que:

  • Em obstrução parcial, com tosse e alguma passagem de ar, não se deve interferir de imediato — incentivar a tosse.
  • Em obstrução total, agir com manobra de Heimlich para maiores de 1 ano.
  • Em crianças menores de 1 ano: primeiro 5 tapas nas costas (com a criança apoiada no antebraço, cabeça abaixo do tronco) + 5 compressões torácicas com dois dedos.

Cuidados especiais

  • Gestantes ou vítimas obesas: realizar compressões no tórax, não no abdome, quando a manobra abdominal for inviável.
  • Não tentar remover objetos às cegas da boca ou garganta — risco de empurrar o corpo estranho para mais fundo.
  • Mesmo que o objeto seja expelido, recomenda-se avaliação médica posterior, para verificar se houve lesão ou aspiração de material residual.

O que fazer agora

  • Se estiver sozinho com a vítima: acione o serviço de emergência local (no Brasil, discagem 192 – SAMU) e, se possível, inicie as manobras.
  • Se estiver com outra pessoa: peça para alguém chamar o socorro enquanto você inicia os procedimentos.
  • Mantenha‐se calmo, explique à vítima o que vai fazer (“vou ajudar a dar compressões”) e inicie a sequência: 5 tapas nas costas → 5 compressões abdominais, alternando até liberação ou perda de consciência.

Em resumo: segurança e ação

Proteger as vias aéreas é o primeiro passo para salvar uma vida. Incentivar a tosse, reconhecer os sinais de emergência, agir com rapidez e chamar ajuda médica são as chaves. Com esse conhecimento simples, você pode fazer a diferença — e isso vale para adultos e crianças.

Esteja preparado. Esse conhecimento pode salvar alguém que você ama.

Fontes: American Heart Association, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria, bvsms.saude.gov.br, Mayo Clinic.